Tratamento medicamentoso do mioma uterino

Tratamento medicamentoso do mioma uterino

Os principais objetivos do tratamento medicamentoso dos miomas uterinos são a diminuição dos nódulos de miomas, regularização da menstruação, melhora clínica da paciente e até mesmo preparo para tratamento cirúrgico.

A utilização de anti-inflamatórios não hormonais (AINH), no tratamento dos miomas uterinos, tem como principal objetivo o controle álgico e a redução do fluxo menstrual, e devem ser utilizados apenas durante o período menstrual, por tempo limitado, porque por tempo prolongado pode levar a problemas gastrointestinais e renais.

Os progestagenos são muito utilizados no tratamento dos miomas uterinos principalmente pela facilidade posológica, boa tolerabilidade e baixo custo. O principal objetivo é o controle dos distúrbios menstruais.

Os análogos do GnRH são atualmente os mais efetivos no tratamento medicamentoso do mioma uterino, pois causam um estado de temporário de hipoestrogênismo, levando a diminuição do volume dos miomas e controle dos sintomas.

Esta medicação deve ser usada durante períodos curtos, máximo 6 a 9 meses. O uso prolongado do análogo do GnRH pode causar efeitos colaterais importantes como Síndrome climatérica, distúrbios do perfil lipídico e perda da massa óssea.

Essa classe de medicamentos tem algumas indicações precisas, principalmente preparo para cirurgias conservadoras, correção de distúrbios hemorrágicos, recuperação de estados anêmicos e redução do número de transfusões sanguíneas.

 Embolização no tratamento dos miomas uterinos

A embolização no tratamento dos miomas tem como principais objetivos o controle dos sintomas clínicos e diminuição do volume dos miomas.

Porém este procedimento deve ser reservado para pacientes que não desejam engravidar devido ao risco de insuficiência ovariana precoce.

Este procedimento é realizado através de cirurgia vascular intervencionista, onde são depositadas microesferas no interior dos vasos que nutrem os miomas levando a interrupção do fluxo sanguíneo.

A embolização tem apresentado bons resultados no controle dos sintomas e diminuição do volume dos miomas, algumas vezes é necessário mais de uma intervenção.

Tratamento cirúrgico conservador ou miomectomia

O tratamento cirúrgico conservador está indicado principalmente nas mulheres com desejo reprodutivo.

A miomectomia pode ser realizada pela técnica convencional através da abertura da parede abdominal (laparotomia), ou pelas técnicas minimamente invasivas (histeroscopia, laparoscopia ou cirurgia robótica).

A escolha da técnica cirúrgica depende do tamanho e localização dos miomas, presença de cirurgias anteriores, condições clinicas da paciente, habilidade do cirurgião e disponibilidade de materiais e equipamentos.

As principais vantagens das técnicas minimamente invasivas (histeroscopia, laparoscopia ou robótica) são a menor permanência hospitalar, diminuição das doses de analgésicos, melhor recuperação pós-operatória e retorno mais rápido as atividades.

A histeroscopia é procedimento de endoscopia ginecológica e está indicada nos casos de patologias do endométrio pois possibilita a visualização da cavidade endometrial, realização de biopsia ou retirada de lesões focais.

É utilizada principalmente no diagnóstico e tratamento das lesões como pólipos, miomas, sangramento uterino anormal.

Tradicionalmente a via cirúrgica mais utilizada para abordagem dos miomas uterinos durante muitos anos foi a laparotomia.

Porém, a partir da década de 80 com o surgimento da videolaparoscopia, os cirurgiões passaram a utilizar esta via para abordagem dos miomas uterinos.

Por tratar se de uma técnica inovadora para época a videolaparoscopia enfrentou inúmeras críticas e objeções, porém, ao longo dos anos mostrou ser superior a laparotomia principalmente por apresentar menores índices de infecção, utilização de menores doses de analgésicos, internações mais curtas, incisões mais estéticas, além de, melhor recuperação pós-operatória.

Atualmente a videolaparoscopia é utilizada em muitos hospitais para abordagem cirúrgica dos miomas uterinos, para realização desta técnica alguns fatores são muito importantes, entre eles:

  • Equipe médica treinada e habilitada para realização de videolaparoscopia;
  • Estrutura física e equipamentos hospitalares adequados para realização da abordagem laparoscópica;
  • Condições clinicas favoráveis para utilização da técnica laparoscópica.

A técnica laparoscópica consiste na realização do procedimento cirúrgico através de pequenas incisões realizadas na parede abdominal por onde são introduzidos os materiais utilizados durante o procedimento.

Para realização do procedimento é necessário a distensão da cavidade abdominal com gás carbônico (CO2).

As imagens do interior da cavidade abdominal são captadas e transmitidas até uma tela por um equipamento de vídeo, através da qual o médico cirurgião acompanha cada procedimento executado.

O aprimoramento dos equipamentos e materiais ao longo dos anos permitiu ao cirurgião imagens mais claras e definidas e a realização de procedimentos mais seguros.

É muito importante deixar muito claro que a utilização da técnica laparoscópica para abordagem dos miomas uterinos deve ser individualizada para cada paciente e depende da habilidade da equipe cirúrgica e disponibilidade de equipamentos e materiais necessários para realização do procedimento.

Em algumas situações especiais como miomas gigantes, múltiplos miomas ou condições clinicas inadequadas a utilização da técnica tradicional (laparotomica) pode ser necessária.

Mais recentemente o uso da plataforma robótica para a realização da Miomectomia se justifica pela maior precisão o que esta tecnologia nos fornece.

Outro ganho obtido com o uso do sistema robótico, é a imagem tridimensional fornecida pela plataforma, que permite uma melhor visualização de tecidos e vasos, diminuindo o dano a estruturas sadias.

Outra vantagem importante e a possibilidade de movimentos mais precisos e mais amplos que os braços robóticos, essa característica do sistema auxilia na reconstrução uterina para a preservação da sua função reprodutiva, além de diminuir as perdas sanguíneas no intra-operatório e permitir uma recuperação mais rápida e menos dolorosa.

Tratamento cirúrgico definitivo (radical) ou histerectomia

O tratamento cirúrgico definitivo ou histerectomia (retirada do corpo uterino), está indicada nos casos de falha do tratamento clinico medicamentoso, ou falha no tratamento cirúrgico conservador (miomectomia), associado a permanência do sangramento uterino anormal em mulheres com prole constituída e sem desejo de engravidar.

A cirurgia histerectomia pode ser realizada pela técnica convencional, através da abertura da parede abdominal (laparotomia), pela via vaginal ou pelas técnicas minimamente invasivas (laparoscopia ou robótica).

As principais vantagens das técnicas minimamente invasivas (laparoscopia/robótica) são a menor permanência hospitalar, diminuição das doses de analgésicos, melhor recuperação pós-operatória e retorno mais rápido as atividades.

A escolha da técnica cirúrgica depende do tamanho dos miomas, presença de cirurgias abdominais anteriores, condições clinicas da paciente, habilidade do cirurgião e disponibilidade de materiais e equipamentos.

O tratamento dos miomas uterinos geralmente é muito complexo e deve ser individualizado em cada paciente a depender de muitos fatores principalmente: idade, prole constituída e desejo de gestação.

Assim como o tratamento, a escolha pela técnica cirúrgica também deve ser individualizada a depender do número, tamanho e localização dos miomas, desejo de gestação, habilidade técnica do cirurgião e disponibilidade de materiais e equipamentos.