Laparoscopia

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O que é Laparoscopia?

A Laparoscopia é um procedimento cirúrgico realizado com técnicas muito pouco invasivas, não necessitando de um corte profundo e abertura da pele, por exemplo, para a realização do procedimento.

Diferentemente das cirurgias tradicionais, a Laparoscopia é feita por meio de pequenos furos na pele, especialmente na região do abdômen, onde geralmente o procedimento é realizado. Estes furos podem variar entre três e seis, de acordo com a necessidade e o procedimento a ser realizado.

Assim, por meio destes pequenos furos o médico poderá alcançar os órgãos necessários e realizar os mais diversos tipos de procedimentos. Além da cirurgia feita por este meio, a Laparoscopia pode ser utilizada também para a realização de exames diagnósticos ou até mesmo biópsias.

Quando a Laparoscopia é mais indicada?

A funcionalidade da Laparoscopia a torna um procedimento extremamente útil em diversas situações, porém, é na ginecologia que encontra uma funcionalidade ainda maior.

Um dos exemplos de casos em que a Laparoscopia é mais indicada é na determinação de dores pélvicas e nas razões de infertilidade, podendo determinar resultados mais precisos em pouco tempo.

Outra situação na qual a Laparoscopia é uma das melhores alternativas é no diagnóstico e tratamento da endometriose, problema que acomete um grande número de mulheres, lhes ocasionando dor intensa durante o período menstrual e sangramento desregulado, podendo também ocasionar a infertilidade.

Assim, com o método pouco invasivo da Laparoscopia, além de um diagnóstico mais rápido da endometriose, seu tratamento poderá ser muito mais eficaz, proporcionando resultados mais rápidos e com um curto tempo de recuperação.

Outro tipo de cirurgia na qual a Laparoscopia é um dos procedimentos mais indicados é a histerectomia, que consiste na retirada de parte do útero ou de sua totalidade para o tratamento de miomas, sangramentos uterinos e até mesmo em casos de câncer de útero.

Riscos e benefícios da Laparoscopia

Assim como todos os tipos de procedimentos cirúrgicos e que necessitam de anestesia ou nos quais existe um tratamento a ser realizado, a Laparoscopia apresenta alguns riscos, devendo ser sempre realizada por profissionais capacitados e de confiança.

Entre os principais riscos de uma Laparoscopia, e que exigem uma atenção maior dos médicos estão perfurações de órgãos como o estômago ou o intestino, o que pode ocasionar hemorragia e maiores problemas.

No entanto, os riscos em uma Laparoscopia apresentam uma incidência muito baixa, sendo considerado um dos procedimentos mais seguros para diversas cirurgias.

Em contrapartida aos riscos, a Laparoscopia apresenta alguns benefícios que tornam este tipo de procedimento ainda mais recomendado. Um dos maiores benefícios da Laparoscopia é o fato de a intervenção ser minimamente invasiva, diminuindo assim os riscos de reações negativas do corpo ao procedimento, bem como minimizando as chances de infecções.

Além disso, as cirurgias realizadas por meio da Laparoscopia proporcionam uma recuperação muito mais rápida e menos dolorosa, nas quais muitas vezes os pacientes são liberados do hospital no mesmo dia ou no dia seguinte ao procedimento.

Desta forma, com riscos muito menores e mais benefícios em relação às demais cirurgias, a Laparoscopia é um procedimento considerado muito mais recomendado para diversas situações do que cirurgias tradicionais, podendo proporcionar um tratamento mais eficiente e uma recuperação mais rápida aos pacientes.

Tratamentos para Mioma Uterino

Tratamento medicamentoso do mioma uterino

Tratamento medicamentoso do mioma uterino

Os principais objetivos do tratamento medicamentoso dos miomas uterinos são a diminuição dos nódulos de miomas, regularização da menstruação, melhora clínica da paciente e até mesmo preparo para tratamento cirúrgico.

A utilização de anti-inflamatórios não hormonais (AINH), no tratamento dos miomas uterinos, tem como principal objetivo o controle álgico e a redução do fluxo menstrual, e devem ser utilizados apenas durante o período menstrual, por tempo limitado, porque por tempo prolongado pode levar a problemas gastrointestinais e renais.

Os progestagenos são muito utilizados no tratamento dos miomas uterinos principalmente pela facilidade posológica, boa tolerabilidade e baixo custo. O principal objetivo é o controle dos distúrbios menstruais.

Os análogos do GnRH são atualmente os mais efetivos no tratamento medicamentoso do mioma uterino, pois causam um estado de temporário de hipoestrogênismo, levando a diminuição do volume dos miomas e controle dos sintomas.

Esta medicação deve ser usada durante períodos curtos, máximo 6 a 9 meses. O uso prolongado do análogo do GnRH pode causar efeitos colaterais importantes como Síndrome climatérica, distúrbios do perfil lipídico e perda da massa óssea.

Essa classe de medicamentos tem algumas indicações precisas, principalmente preparo para cirurgias conservadoras, correção de distúrbios hemorrágicos, recuperação de estados anêmicos e redução do número de transfusões sanguíneas.

 Embolização no tratamento dos miomas uterinos

A embolização no tratamento dos miomas tem como principais objetivos o controle dos sintomas clínicos e diminuição do volume dos miomas.

Porém este procedimento deve ser reservado para pacientes que não desejam engravidar devido ao risco de insuficiência ovariana precoce.

Este procedimento é realizado através de cirurgia vascular intervencionista, onde são depositadas microesferas no interior dos vasos que nutrem os miomas levando a interrupção do fluxo sanguíneo.

A embolização tem apresentado bons resultados no controle dos sintomas e diminuição do volume dos miomas, algumas vezes é necessário mais de uma intervenção.

Tratamento cirúrgico conservador ou miomectomia

O tratamento cirúrgico conservador está indicado principalmente nas mulheres com desejo reprodutivo.

A miomectomia pode ser realizada pela técnica convencional através da abertura da parede abdominal (laparotomia), ou pelas técnicas minimamente invasivas (histeroscopia, laparoscopia ou cirurgia robótica).

A escolha da técnica cirúrgica depende do tamanho e localização dos miomas, presença de cirurgias anteriores, condições clinicas da paciente, habilidade do cirurgião e disponibilidade de materiais e equipamentos.

As principais vantagens das técnicas minimamente invasivas (histeroscopia, laparoscopia ou robótica) são a menor permanência hospitalar, diminuição das doses de analgésicos, melhor recuperação pós-operatória e retorno mais rápido as atividades.

A histeroscopia é procedimento de endoscopia ginecológica e está indicada nos casos de patologias do endométrio pois possibilita a visualização da cavidade endometrial, realização de biopsia ou retirada de lesões focais.

É utilizada principalmente no diagnóstico e tratamento das lesões como pólipos, miomas, sangramento uterino anormal.

Tradicionalmente a via cirúrgica mais utilizada para abordagem dos miomas uterinos durante muitos anos foi a laparotomia.

Porém, a partir da década de 80 com o surgimento da videolaparoscopia, os cirurgiões passaram a utilizar esta via para abordagem dos miomas uterinos.

Por tratar se de uma técnica inovadora para época a videolaparoscopia enfrentou inúmeras críticas e objeções, porém, ao longo dos anos mostrou ser superior a laparotomia principalmente por apresentar menores índices de infecção, utilização de menores doses de analgésicos, internações mais curtas, incisões mais estéticas, além de, melhor recuperação pós-operatória.

Atualmente a videolaparoscopia é utilizada em muitos hospitais para abordagem cirúrgica dos miomas uterinos, para realização desta técnica alguns fatores são muito importantes, entre eles:

  • Equipe médica treinada e habilitada para realização de videolaparoscopia;
  • Estrutura física e equipamentos hospitalares adequados para realização da abordagem laparoscópica;
  • Condições clinicas favoráveis para utilização da técnica laparoscópica.

A técnica laparoscópica consiste na realização do procedimento cirúrgico através de pequenas incisões realizadas na parede abdominal por onde são introduzidos os materiais utilizados durante o procedimento.

Para realização do procedimento é necessário a distensão da cavidade abdominal com gás carbônico (CO2).

As imagens do interior da cavidade abdominal são captadas e transmitidas até uma tela por um equipamento de vídeo, através da qual o médico cirurgião acompanha cada procedimento executado.

O aprimoramento dos equipamentos e materiais ao longo dos anos permitiu ao cirurgião imagens mais claras e definidas e a realização de procedimentos mais seguros.

É muito importante deixar muito claro que a utilização da técnica laparoscópica para abordagem dos miomas uterinos deve ser individualizada para cada paciente e depende da habilidade da equipe cirúrgica e disponibilidade de equipamentos e materiais necessários para realização do procedimento.

Em algumas situações especiais como miomas gigantes, múltiplos miomas ou condições clinicas inadequadas a utilização da técnica tradicional (laparotomica) pode ser necessária.

Mais recentemente o uso da plataforma robótica para a realização da Miomectomia se justifica pela maior precisão o que esta tecnologia nos fornece.

Outro ganho obtido com o uso do sistema robótico, é a imagem tridimensional fornecida pela plataforma, que permite uma melhor visualização de tecidos e vasos, diminuindo o dano a estruturas sadias.

Outra vantagem importante e a possibilidade de movimentos mais precisos e mais amplos que os braços robóticos, essa característica do sistema auxilia na reconstrução uterina para a preservação da sua função reprodutiva, além de diminuir as perdas sanguíneas no intra-operatório e permitir uma recuperação mais rápida e menos dolorosa.

Tratamento cirúrgico definitivo (radical) ou histerectomia

O tratamento cirúrgico definitivo ou histerectomia (retirada do corpo uterino), está indicada nos casos de falha do tratamento clinico medicamentoso, ou falha no tratamento cirúrgico conservador (miomectomia), associado a permanência do sangramento uterino anormal em mulheres com prole constituída e sem desejo de engravidar.

A cirurgia histerectomia pode ser realizada pela técnica convencional, através da abertura da parede abdominal (laparotomia), pela via vaginal ou pelas técnicas minimamente invasivas (laparoscopia ou robótica).

As principais vantagens das técnicas minimamente invasivas (laparoscopia/robótica) são a menor permanência hospitalar, diminuição das doses de analgésicos, melhor recuperação pós-operatória e retorno mais rápido as atividades.

A escolha da técnica cirúrgica depende do tamanho dos miomas, presença de cirurgias abdominais anteriores, condições clinicas da paciente, habilidade do cirurgião e disponibilidade de materiais e equipamentos.

O tratamento dos miomas uterinos geralmente é muito complexo e deve ser individualizado em cada paciente a depender de muitos fatores principalmente: idade, prole constituída e desejo de gestação.

Assim como o tratamento, a escolha pela técnica cirúrgica também deve ser individualizada a depender do número, tamanho e localização dos miomas, desejo de gestação, habilidade técnica do cirurgião e disponibilidade de materiais e equipamentos.

Tratamento para Endometriose

Tratamento para Endometriose

Desde 2008 a endometriose passou a ser vista como uma doença crônica, exigindo uma terapêutica a longo prazo, desta forma pretende se intensificar a utilização do tratamento medicamentoso em detrimento das repetidas abordagens cirúrgicas.

Endometriose peritoneal

O tratamento da endometriose peritoneal superficial (mínima/leve) com contraceptivos hormonais, progestagênios ou análogos do GnRH, tem apresentado resultados muito satisfatórios principalmente no controle dos sintomas álgicos e melhora da qualidade de vida, lembrando que os análogos do GnRH não podem ter uso prolongado.

Na endometriose peritoneal profunda, o tratamento clinico medicamentoso pode levar a melhora dos sintomas álgicos e diminuição das lesões, porem em situações onde a doença causa comprometimento anatômico e funcional o tratamento cirúrgico pode ser necessário.

O tratamento clínico da endometriose baseia-se na indução do hipoestrogenismo, os principais medicamentos utilizados para este fim são: danazol, a gestrinona, os progestagênios isolados, os contraceptivos hormonais, análogos do GnRH e os inibidores da aromatase.

As pílulas combinadas e os progestagênios, levam a hipotrofia do tecido endometrial e podem ser utilizadas de forma cíclica (com pausa) ou continua, seu uso diminui as cólicas menstruais e a dispareunia.

Os progestagênios podem ser administrados por via oral, intramuscular, por meio de implantes dérmicos ou em sistema intrauterino e são efetivos na redução da dor associada à endometriose.

Os efeitos colaterais mais frequentes são o ganho de peso e a alteração do humor. O dienogeste e o endoceptivo de levonorgestrel (SIU-LNG), estão sendo utilizados, com resultados promissores para o tratamento de endometriose a longo prazo, principalmente no controle da dor.

Endometriose ovariana

A endometriose ovariana (endometriomas), na maioria das vezes é tratada cirurgicamente e preferencialmente por via laparoscópica.

Nestes casos, o tratamento medicamentoso pode trazer redução do cisto, mas não regressão completa.

Em casos selecionados, onde o tamanho do cisto não ultrapassa 3 cm e a paciente for pouco sintomática, o tratamento medicamentoso pode ser instituído, se for observado crescimento do cisto, este deve ser retirado com à preservação do parênquima ovariano e do potencial reprodutivo.

O tratamento cirúrgico por via laparoscópica, demonstra menor morbidade, menor tempo de internação, melhor resultado estético, menor índices de dor pós-operatório e permite melhor magnificação visual.

Recentemente também a cirurgia robótica vem sendo utilizada com êxito no tratamento da endometriose. É fundamental a disponibilidade de recursos tecnológicos assim como o grau de experiência da equipe cirúrgica para utilização de cada técnica.

A decisão sobre o tratamento clínico ou cirúrgico depende do quadro clínico, desejo reprodutivo, da idade da paciente e das características das lesões (locais e estádio da doença).

Os exames de imagem devem nos oferecer informações para o planejamento cirúrgico, entre elas: locais comprometidos pela doença (ovários, região retro cervical, vaginal, septo retovaginal, trato urinário e digestivo) assim como o tamanho e número de lesões.

O objetivo do tratamento cirúrgico é remover todos os focos de endometriose em uma única cirurgia diminuindo a dor e melhorando a qualidade de vida e os índices de fertilidade.

O tratamento cirúrgico da endometriose deve ser conservador, os implantes devem ser removidos por meio de excisão cirúrgica e os órgãos reprodutivos devem permanecer preservados.

Observamos melhora de 60% a 70% dos sintomas de dismenorreia e dispareunia após a exérese de implantes endometrióticos. As ressecções completas das lesões, em mulheres sintomáticas, podem levar a melhora da qualidade de vida.

Endometriose Intestinal

O intestino é frequentemente acometido pela endometriose profunda, dificilmente regride espontaneamente e tende a agravar-se com o tempo.

A endometriose intestinal pode ocorrer em 25% das mulheres com endometriose, o reto e o sigmoide são os locais mais acometidos.

Os sintomas mais frequentes na endometriose intestinal são a dispareunia de profundidade, dor ao evacuar e dor pélvica crônica, também podem estar presentes a diarreia, constipação, dor em cólica, espasmo intestinal e dor retal.

A endometriose colorretal deve ser diferenciada da síndrome do intestino irritável, doença inflamatória intestinal, diverticulite e neoplasia maligna intestinal.

O diagnóstico de endometriose intestinal é realizado através da ultrassonografia transvaginal especializada e a ressonância nuclear magnética de pelve, a colonoscopia deve ser realizada para avaliar a extensão e profundidade da endometriose ou doença intestinais concomitantes.

O tratamento da endometriose intestinal pode ser dividido em:

  • Clínico medicamentoso, com uso de anticoncepcionais combinados;
  • Progestagênios;
  • Análogos do GnRH;
  • Cirúrgico com ressecção da doença intestinal.

O tratamento cirúrgico consiste na remoção completa dos focos da doença, restauração da anatomia pélvica e retorno das funções fisiológicas normais.

A cirurgia da paciente com endometriose intestinal deve ser realizada em centros especializados por equipe multidisciplinar (ginecologistas, proctologistas urologistas e cirurgiões vasculares), tendo em vista o caráter multicêntrico das lesões e a complexidade do procedimento.