Novo medicamento para tratamento da endometriose

Novo medicamento para tratamento da endometriose

Segundo artigo publicado pelo  Medscape (site especializado em divulgação de pesquisas na área da saúde) o FDA –  Food and Drug Administration  (setor do governo americano responsável pela aprovação e regulação de medicamentos)  aprovou o medicamento chamado  ELAGOLIX (Orilissa, AbbVie), o primeiro antagonista oral de hormônio liberador de gonadotrofina desenvolvido  para o tratamento de dor moderada a grave associada à endometriose.

O FDA aprovou ELAGOLIX sob revisão de prioridade. Espera-se que esteja disponível nos Estados Unidos no próximo mês. ELAGOLIX representa um “avanço significativo para as mulheres com endometriose e médicos que precisam de mais opções para o tratamento médico desta doença”, disse Michael Severino, MD, diretor científico da AbbVie, em um comunicado à imprensa.

Dados de dois estudos envolvendo quase 1700 mulheres com dor moderada a grave endometriose apoiaram a aprovação do FDA. Elagolix, na dose de 150 mg uma vez ao dia ou 200 mg duas vezes ao dia, reduziu significativamente os três tipos mais comuns de dor de endometriose: dor pélvica menstrual diária, dor pélvica não-menstrual e dor com sexo, disse a empresa.

A duração recomendada da utilização de elagolix é até 24 meses para a dose de 150 mg uma vez por dia e até 6 meses para a dose de 200 mg duas vezes por dia, uma vez que provoca uma diminuição da densidade mineral óssea dependente da dose (DMO), a empresa disse.

A perda da densidade mineral óssea é maior com o aumento da duração do uso e pode não ser completamente reversível após a interrupção do tratamento, observou a empresa. Para mulheres com insuficiência hepática moderada, a dose recomendada é de 150 mg uma vez ao dia por até 6 meses.

O medicamento deve ser administrado por via oral aproximadamente à mesma hora todos os dias, com ou sem alimentos. “A endometriose é frequentemente caracterizada por dor pélvica crônica que pode afetar as atividades diárias das mulheres”, disse Hugh Taylor, pesquisador da Escola de Medicina da Universidade de Yale em New Haven, Connecticut, no comunicado.

“As mulheres com endometriose podem passar por vários tratamentos médicos e procedimentos cirúrgicos que buscam alívio da dor, e essa aprovação dá aos médicos outra opção para tratamento baseado no tipo específico de uma mulher e na gravidade da dor da endometriose”.

As informações foram publicados pelo site Medscape – julho de 2018.

Endometriose de vias urinárias ( bexiga e ureter )

Endometriose de vias urinárias ( bexiga e ureter )

As teorias para o aparecimento da endometriose incluem menstruação retrógrada, disseminação linfática ou hematogênica de células endometriais, metaplasia celômica, fatores genéticos e imunes.

Das mulheres diagnosticadas com endometriose pélvica, aproximadamente 1 a 2%apresentam endometriose no trato urinário, mais comumente endometriose da bexiga. A endometriose do ureter ocorre em aproximadamente 0,2 – 0,5% das mulheres.

Os principais sintomas das mulheres com endometriose na bexiga ( vesical ) são:

  • Disúria
  • Urgência urinária
  • Polaciuria ( aumento da freqüência miccional ).

A avaliação diagnóstica de mulheres com suspeita de endometriose da bexiga inclui:

  • História clínica ( disuria , polaciuria e urgência meccional )
  • Exame físico
  • Exame laboratorial ( excluir infecção do trato urinário )
  • Exames de imagem ( ultrassonografia vias urinárias e pelvico , ressonância magnética, urografia excretora e cistoscopia )
  • Biópsia muitas vezes é necessária para excluir a malignidade.

O tratamento da endometriose da bexiga (vesical):

  • Clinico medicamentoso (analgésicos , contraceptivos orais , SIU- Leng ) visa a melhora de sintomas; mulheres assintomáticas podem ser observadas.
  • Cirurgia para mulheres com falha ou contra-indicações para terapia medicamentosa ou que tenham hidronefrose e hematuria macroscópica.

A endometriose ureteral pode estar dentro da parede do ureter (intrínseca) ou envolver o peritoneo subjacente (extrínseco). Mais de metade destas mulheres são assintomáticas; outras podem apresentam dor ou hematúria macroscópica.

Ambas as formas podem causar estenose e obstrução ureterais. A hidronefrose em pacientes assintomáticos pode resultar em perda silenciosa da função renal.

A avaliação diagnóstica de mulheres com suspeita de endometriose uretral inclui testes laboratoriais para avaliar a função renal e excluir a infecção do trato urinário e ultra-som pélvico e vias urinarias para avaliar lesões ureterais e hidronefrose.

A cistoscopia é realizada para excluir lesões da bexiga. Outros exames utilizados para identificar endometriose no ureter são a ressonância magnética e a urografia excretora , estes permitem identificar a localização e extensão exata das lesões.

O tratamento da endometriose ureteral é cirúrgico, uma vez que a terapia medicamentos a não demonstrou ser eficaz no alívio da obstrução causada pela endometriose.

O primeiro passo no tratamento cirúrgico da endometriose ureteral é a ureterolise ( liberação do ureter dos tecidos adjacentes e peritoneo ).

O tratamento cirúrgico subsequente pode incluir ressecção de um segmento do ureter com anastomose ou com implante do ureter na bexiga.

As lesões do terço inferior do ureter normalmente requerem ressecção e reimplante do mesmo na bexiga.

A taxa cumulativa de complicações cirúrgicas após o tratamento da endometriose ureteral varia em torno de 15%. A maioria das complicações incluem persistência ou recorrência de estenose ureteral, fístula ureteral ou uretero-vaginal.

A endometriose que acomete as vias urinarias geralmente tem o diagnóstico tardio por apresentar sintomas inespecíficos como disuria , polaciuria e hematuria, frequentemente tratadas como infecção do trato urinário.

A endometriose de vias urinarias deve ser investigada corretamente através de exames de imagem como ressonância e urografia para definição exata do local e tamanho das lesões para o planejamento terapêutico.

O tratamento frequentemente é cirúrgico com ressecção das lesões e necessita de equipe multidisciplinar ( ginecologista e urologista ) por tratar de cirurgias complexas.

Atualmente a via preferencial na abordagem da endometriose de vias urinárias é a videolaparoscopia / cirurgia robótica pois permite movimentos mais precisos e maior segurança.

Atenção :

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Varizes pélvicas e Síndrome da congestão pélvica

Varizes pélvicas e Síndrome da congestão pélvica

VARIZES PÉLVICAS

A dor pélvica (dor no baixo ventre) é um sintoma muito frequente nos consultórios clínicos e ginecológicos. É mais comum em mulheres com múltiplas gestações e durante o período reprodutivo.

Existem muitas causas para dor pélvica: endometriose, miomas uterinos, doença inflamatória crônica e a própria cólica uterina pré-menstrual. Entretanto, existe uma causa de dor pélvica crônica que está relacionada com a circulação: a síndrome da congestão pélvica causada por varizes pélvicas.

A região pélvica é ricamente irrigada por muitos vasos sanguíneos arteriais e venosos. As veias que drenam a maior parte da região pélvica são as veias hipogástricase as veias gonadais.

Algumas pacientes, principalmente as que tiveram mais de 2 gestações, podem desenvolver dilatações dessas veias que drenam o sangue da região pélvica. Gerando uma insuficiência na drenagem do sangue por essas veias da região pélvica, onde se localizam o útero, ovários, trompas.

O sangue que deve fluir de forma livre, fica estagnado (“parado”) na região. Esse fluxo lento aumenta a pressão nas veias, levando a uma dilatação progressiva das veias, gerando as varizes pélvicas, e com isso os sintomas de dor e desconforto.

DIAGNÓSTICO

É feito pela combinação das queixas da paciente associada ao exame físico, além da documentação ou incompetência venosa pélvica, após exclusão de outras causas.

A principal queixa é a dor pélvica com duração de pelo menos 6 meses, que começa durante uma gestação, piora com novas gestações. A intensidade da dor varia, podendo aumentar:

  • No período pré-menstrual;
  • Após longos períodos de pé;
  • Durante atividade física que causa aumento da pressão abdominal;
  • Durante e após uma relação sexual.

O primeiro exame complementar é a Ultrassonografia Doppler, por não ser invasivo, permite excluir outras causas de dor pélvica como tumores, porém é um exame que depende da capacitação do profissional que o realiza.

Tomografia Computadorizada e Ressonância Magnética são melhores que a ultrassonografia para avaliação das estruturas anatômicas.

Podendo ser realizados para avaliação da circulação por meio da Angiotomografia e Angioressonância, podendo ser um exame que cela o diagnóstico.

Laparoscopia, muito usada na investigação da dor pélvica crônica, porém não permite visibilizar de forma adequada as veias ovarianas e pélvicas nem a etiologia das varizes pélvicas.

Flebografia é o exame padrão-ouro para varizes pélvicas, é um tipo de cateterismo, realizado sob sedação e anestesia local na virilha, onde é introduzido um cateter na veia femoral pela virilha.

Durante o exame medimos o diâmetro das veias ovarianas e da veia ilíaca comum esquerda. Identificamos se há refluxo associado a varizes pélvicas, durante o exame é possível realizar o tratamento.

TRATAMENTO

O tratamento pode ser inicialmente conservador como hormonioterapia, porém com resultados pouco animadores. Se houver dilatação da veia ovariana com refluxo, podemos fazer a sua oclusão por meio de molas ou agentes químicos embolizantes, em ambiente de hemodinâmica.

Se a causa das varizes for a compressão da veia ilíaca comum esquerda pela artéria ilíaca comum direita, podemos corrigi-la por meio do implante de stent na veia ilíaca comum esquerda, na área da compressão, permitindo um melhor fluxo pela veia ilíaca comum esquerda.

Após o tratamento adequado, cerca de 90% das mulheres cessam as queixas de dor. Dra. Carine Marianne Melo Araújo – Cirurgiã Vascular e Endovascular, ecografista vascular. Dr. Robson Barbosa de Miranda – Angiologista, cirurgião vascular e ecografista vascular.

As informações contidas neste blog tem caráter informativo, o médico especialista deve sempre ser consultado.

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Endometriose X contraceptivos hormonais

Endometriose X contraceptivos hormonais

Hoje vamos conversar sobre uso de contraceptivos hormonais em pacientes com endometriose.
Diariamente somos questionados sobre a utilização de contraceptivos hormonais em pacientes com endometriose.
As duvidas mais frequentes são:
  • Existe necessidade de usar contraceptivos hormonais ?
  • Os contraceptivos hormonais melhoram ou não a endometriose ?
  • Os contraceptivos hormonais tem papel na gênese da endometriose ?
Para responder algumas destas duvidas vamos utilizar informações de um artigo publicado em junho de 2017 na revista European Journal of Obstetrics & Gynecology and Reproductive Biology.
A patogênese da endometriose ovariana (endometrioma ovarianio) ainda é controversa. Várias são as teorias utilizadas para explicar a formação da endometriose ovariana:
  • Teoria da  menstruação retrógrada: ocorrência de refluxo tubáreo de glândulas endometriais seguida pela aderência na superfície ovariana e subseqüente invaginação desses implantes.
  • Teoria da metaplasia celômica, que consiste na invaginação do tecido cortical do ovário e metaplasia do epitélio celômico.
  • Teoria da transformação de cistos funcionais em endometriomas também está sendo muito estudada pelos pesquisadores. Esta teoria levanta a possibilidade que um corpo lúteo ovariano ao aderir no peritônio da parede pélvica, resulta em acumulo de sangue e transformação em um endometrioma ovariano. Muitos estudos que apoiam esta possibilidade, mostram um risco diminuído de ocorrência de endometrioma ovariano em mulheres usuarias de anticoncepcionais hormonais.
Recentemente um estudo mostrou a eficácia do uso a longo prazo de contraceptivos orais na redução de tamanho e recidiva de endometriomas ovarianos.
Outro estudo recente também relatou uma menor probabilidade de lesões endometrias no ovário entre os usuárias de contraceptivos hormonais quando comparados com as que não utilizaram, sugerindo um efeito protetor dos contraceptivos hormonais na genese da endometriose ovariana.
No estudo publicado em junho de 2017 pela revista European Journal of Obstetrics & Gynecology and Reproductive Biology, as mulheres preveamente diagnosticadas com endometriose peritoneal que tiveram história de uso de contracepção hormonal apresentaram menor incidência de endometriomas ovarianos do que as mulheres sem uso prévio de anticoncepcionais hormonais.
Os resultados  apresentados na pesquisa publicada publicado em junho de 2017 pela revista  European Journal of Obstetrics & Gynecology and Reproductive Biology  sugerem que as mulheres com endometriose peritoneal que tiveram história de uso de contraceptivo hormonal apresentaram menor incidência de endometrioma ovariano do que aquelas sem o uso de contraceptivo hormonal.
Possíveis mecanismos de ação incluem a redução do risco de formação do corpo lúteo e posterior transformação em um endometrioma ovariano ou através da diminuição da menstruação retrógrada. Estudos maiores ainda são necessários para melhores conclusões.
As informações contidas neste blog tem caráter informativo. Orientamos sempre a procurar um médico especialista para maiores informações.
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